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Lauren Graham fala sobre novo filme e sua carreira

Mais de duas décadas e meia depois da estreia de Gilmore Girls, uma legião de fãs continua obcecada pela série. E tudo bem para Lauren Graham, que ainda não está pronta para abrir mão de Lorelai Gilmore.

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Amanda Friedman / Trunk Archive

Em 2000, Lauren Graham não fazia ideia de que, 26 anos depois, mulheres do mundo inteiro quereriam pará-la no supermercado, na livraria, no aeroporto… para declarar seu amor e sua admiração. É verdade que, ao encontrar o roteiro de Gilmore Girls, um drama leve e cheio de tiradas sobre mãe e filha em uma cidadezinha tranquila da Costa Leste, ela achou que aquilo tinha ótimo potencial. E, apesar dos avisos de colegas de que, aos 30 e poucos anos, o papel seria a sentença de morte para futuros “papéis que não fossem de mãe”, ela ficou encantada com a escrita de Amy Sherman-Palladino, especialmente para a protagonista Lorelai Gilmore, apaixonada por café e mestre em soltar uma piada certeira. “Eu não via a personagem primeiro como uma mãe”, conta. “Via uma personagem com muito brilho e sagacidade, e um relacionamento que parecia realmente novo. Esse é o tipo de trabalho com o qual a gente sonha.”

Ao lado de Alexis Bledel, como a filha estudiosa e ambiciosa, Rory Gilmore, Graham ajudou a criar o que é considerado o padrão-ouro das relações entre mãe e filha na TV. É um trabalho geracional: os diálogos em velocidade máxima moldaram o jeito de falar de muitos grupos de amigos, e o clima aconchegante de seus episódios faz dela uma série obrigatória assim que as folhas começam a estalar no chão. Embora a série tenha terminado em 2007, sua chegada à Netflix em todo o mundo, em 2016, deu origem a uma nova geração de fãs fiéis que não se cansam de tudo o que é Gilmore.

E, por extensão, Graham, hoje com 58 anos, é querida por pessoas que a consideram parte do tecido de suas vidas. Uma rápida olhada nos comentários do seu Instagram mostra de tudo: gente dizendo que a rapidez das respostas de Lorelai baixa a pressão, e relatos de como a série reaproximou mães e filhas afastadas. Nada disso é um problema para Graham. “Estou muito feliz por ser alguém que é recebida com carinho, eu jamais poderia ter esperado isso”, diz, sorrindo. “Já estou encontrando pessoas que dizem: ‘Você me criou, eu cresci com você, minha filha ama você agora.’ Quem sabe como vai ser a recepção daqui a 10 anos? Em que momento vai virar ‘meus netos’?”

Na tela, o charme magnético de Graham é inegável, e na nossa chamada de Zoom ela é tão calorosa quanto se espera, com um sorriso largo e fácil e uma presença tranquila. É uma manhã clara e fresca em Los Angeles, e Graham está em pleno clima de fim de ano: árvore e decoração totalmente montadas. Apenas um dia antes, ela e Sherman-Palladino deram aos fãs de Gilmore Girls um presente de Natal antecipado, com o anúncio de um novo livro que leva o público o mais longe possível pelos bastidores de Stars Hollow. Mas, antes de mergulhar novamente nesse mundo, Graham ainda não terminou de deixar sua marca nas telas, principalmente com outro projeto que coloca no centro do palco a vida complicada de mulheres comuns.

Amanda Friedman / Trunk Archive

Uma Segunda Chance é a adaptação para o cinema do romance de Colleen Hoover, de 2022, sobre uma jovem em busca de recomeçar a vida depois de cumprir uma pena de prisão. Graham interpreta Grace, uma mulher que cria a filha do seu falecido filho adolescente após a morte precoce dele. Apesar de ser conhecida pelo humor ácido, Graham está firmemente no registro sério neste filme, uma bem-vinda mudança de rota. “Fiquei muito tocada por terem pensado em mim”, afirma. “É uma obra dramática e um papel bastante dramático. Grace adotou uma postura rígida sobre o que aconteceu com o filho e se sente muito protetora da família. Não sei dizer por que pensaram em mim para o papel, mas sempre tento encontrar o calor e a humanidade em tudo o que faço.”

No filme anterior, Twinless – Um Gêmeo a Menos, ela viveu uma mãe que chora a perda de um de seus filhos gêmeos, e seu papel como a mãe solo Sarah Braverman nas seis temporadas da série cult Parenthood reforçou seu status de mãe descolada da TV. Embora o “papel de mãe” seja uma constante em sua carreira, Graham diz que isso não é necessariamente intencional. “Procuro coisas que tenham mais de uma camada”, explica. “Mas, sabe, não é como se chegassem 50 propostas por dia. Sou muito grata por ainda receber esses convites maravilhosos, e isso se deve em grande parte ao fato de Gilmore Girls continuar encontrando público.” Só em 2023, a série acumulou 500 milhões de horas assistidas na Netflix. “Provavelmente é isso que me traz todas as oportunidades que ainda recebo. Então eu não questiono, só agradeço.”

Graham encontra um equilíbrio interessante entre a vontade de se desafiar em novas direções e a generosidade com que expressa gratidão pela série que lhe deu o grande impulso. Nascida em Honolulu, no Havaí, em 1967, e criada principalmente pelo pai nos subúrbios de Washington, D.C., ela se mudou para Hollywood em meados dos anos 1990 para seguir a carreira de atriz. Com formação em literatura inglesa e em interpretação, estava preparada e pronta para correr atrás dos sonhos, mesmo que isso significasse trabalhar a todas as horas do dia para se manter.

“Se estou por aí, no mundo real, sinto que não tenho como corresponder à ideia que alguém faz de mim.”

“Teve uma época em que eu tinha três empregos: trabalhava no varejo de dia, dava aulas particulares nos fins de semana e era garçonete de coquetéis à noite”, conta, bebericando seu copo de água. “Era difícil. Aí eu conseguia um comercial, ou algumas falas em uma novela, ou um piloto, alguma boa notícia. Talvez o piloto não fosse aprovado, mas eu estava conseguindo alguma coisa.” Esse otimismo e a apreciação genuína por poder atuar, lembra, foi o que a manteve firme nos momentos mais difíceis. “O show business é como um relacionamento: você não quer estar em um péssimo, em que a pessoa nunca retorna a ligação. Você queria pelo menos ouvir algumas coisas boas, e era assim. As coisas estavam andando.”

Gilmore Girls fez mais do que tirar Graham do circuito de pilotos. A série continua rendendo oportunidades até hoje. Em 2016, o elenco gravou um especial em quatro partes, Gilmore Girls: Um Ano para Recordar, um reencontro que satisfez os fãs e foi uma “experiência linda” para Graham. Agora, o novo livro será uma celebração do vínculo entre Graham e a criadora da série, Amy Sherman-Palladino: a chance de contarem a história da série com as próprias palavras. “Nós duas ficamos um pouco frustradas, às vezes, ao ver outros livros sobre Gilmore Girls que não vinham de nós”, diz. “Queríamos escrever o relato definitivo da experiência: ‘Foi assim que aconteceu’, com todas as histórias que conseguirmos lembrar, direto da fonte.”

Começando como meras colegas de trabalho, as duas se tornaram grandes amigas, e Sherman-Palladino foi convidada de honra na inauguração da estrela de Graham na Calçada da Fama de Hollywood, no ano passado. “Como atriz que já tinha feito alguns papéis, mas nada tão grande, eu admirava muito a Amy, ela tinha me dado algo incrível”, lembra Graham. “Quando comecei a trabalhar com ela, nunca imaginei que confiaria em mim como colaboradora, ou como colega de escrita, então essa mudança também tem sido interessante.” Com Kelly Bishop, que interpretou Emily, mãe de Lorelai, a relação de Graham foi mais direta desde o início. “Sempre nos amamos do mesmo jeito. Ela me acolheu. Somos amigas, mas ela sempre me deu conselhos e teve opiniões firmes sobre a minha vida. Minha mãe faleceu há muitos anos, e eu diria que a Kelly é uma figura materna para mim nesse sentido.”

E, claro, a relação com Alexis Bledel é outra que ela guarda com carinho, chamando-a de “parceira querida”. Embora a distância dificulte que se vejam com frequência, Graham diz que, quando se reencontram, tudo é tão fácil quanto sempre foi. No Emmy de 2025, Graham e Bledel entregaram um prêmio interpretando as personagens, com diálogos escritos por Sherman-Palladino. “Foi uma alegria trabalhar juntas de novo”, recorda Graham. Embora não haja planos atuais para continuar a história de Gilmore Girls nas telas, a experiência de filmar novamente com Bledel lembrou a Graham como é emocionante reunir a dupla Lorelai e Rory. A porta nunca se fecha por completo. “Sei que deixo os fãs loucos quando digo que faria mais episódios, mas faria, porque simplesmente funciona. É uma química que alimenta a minha alma, por mais brega que isso soe. É isso que a gente busca como atriz, esse tipo de parceria que parece realmente natural.”

“Minha carreira nunca esteve ligada à minha aparência, foi mais uma questão de personalidade.”

Fora do conforto da bolha de Gilmore Girls, Graham aprecia não sentir o mesmo desespero em relação ao trabalho que sentia no começo da carreira. Ela é uma autora de sucesso: seu romance de 2013, Quem Sabe Um Dia, e suas coletâneas de ensaios, Falando o Mais Rápido Que Posso e Have I Told You This Already?, foram todos best-sellers do New York Times. Ela arriscou a direção com a série de comédia dramática esportiva Virando o Jogo dos Campeões e produziu a comédia The Z-Suite, do Tubi, além de estrelar o elenco. “O luxo agora é que eu faço coisas porque quero trabalhar com certas pessoas e em projetos que pareçam divertidos”, diz.

Depois de três décadas sob os olhos do público, Graham afirma que, ao contrário de muitas colegas, não sentiu a expectativa de permanecer “sem idade”. “A boa notícia para mim é que minha carreira nunca esteve ligada à minha aparência, foi mais uma questão de personalidade, e eu ainda tenho essa personalidade”, diz, dando de ombros. “Não mudei muito, então sinto que ainda sou contratada mais ou menos do mesmo jeito. Não tive essa pressão de ser a sex symbol. Isso nunca foi a minha praia.”

Famosa por ser reservada sobre a vida pessoal (seu relacionamento mais público foi com o colega de Parenthood Peter Krause e terminou em 2021), Graham hoje divide seu tempo entre Los Angeles e Nova York. Ela brinca que se tornou uma anglófila em seus gostos culturais: “Amo os livros de Richard Osman, Downton Abbey, The Crown, French & Saunders… Tem algo no humor e na forma de contar histórias dos britânicos. Ninguém tornou o assassinato tão reconfortante quanto vocês.”

Ela pretende passar o Natal com a meia-irmã britânica, a estrategista de mídia Shade Grant, em Londres, onde, como de costume, espera ser abordada na rua por fãs de Gilmore Girls ansiosos para teorizar sobre o que vem por aí para a querida dupla. Mas ela não se incomoda. “Se estou por aí, no mundo real, sinto que não tenho como corresponder à ideia que alguém faz de mim depois de me ver naquela personagem por horas e horas seguidas”, diz. “Mas é disso que se trata este trabalho: tentar oferecer às pessoas um pouco de entretenimento, de paz, de alívio e de calor. Ter feito parte de algo que continua fazendo isso é maravilhoso. Não me causa nenhum estresse continuar associada a Lorelai. Foi uma união maravilhosa entre material e pessoa.”

Uma Segunda Chance estreia nos cinemas em 13 de março.

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Via:Red
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